6 de novembro de 2009

A minha mamoca nova


Cá estou de novo em casa depois de 11 dias no HEM. Pois é, foi tudo muito rápido e nem tive muito tempo para pensar. Tive consulta de cirurgia plastica em finais de Setembro e a 27 de Outubro estava no bloco operatório para receber "my precious boobie". A ultima semana antes do internamento foi de loucos, pois tive que conciliar o trabalho com os exames pré cirurgia. Mas consegui! Entrei dia 26 de Outubro com nervoso miudinho, mas por outro lado muito feliz porque finalmente o meu corpo iria voltar às suas formas naturais.

A cirurgia levou 8 horas e correu bem. Acordei bem disposta, apenas com leves dores na sutura abdominal. Depois veio a parte mais chata. Fui para os Cuidados Intensivos e lá permaneci 3 dias e meio. Estive sempre com morfina e via as minhas visitas mais chegadas à minha frente rodando como se fossem ratinhos numa roda. Os tubos que me ligavam às máquinas eram imensos, o que me impossibilitavam de me mexer. Ao 2º dia vomitei um Nestum manhoso que me deram, consequência da anestesia e tanta morfina. Só podia estar de barriga para cima e ao final dos 3 dias já desesperava. As dores nas costas estavam a deixar-me maluca e queria sair dali rapidamente. O pessoal de enfermagem foi excelente e tiveram sempre ao meu lado, não queriam que eu tivesse dores. Faziam a higiene e no final passavam uma pomada nas costas para aliviar as dores e evitar feridas. Na passada 6ª feira, finalmente fui para a enfermaria. Aí as coisas começaram a melhorar significativamente. Passei a levantar-me aos pouquinhos e a sentar-me no cadeirão. As noites eram sempre mais dificeis, porque mais uma vez as costas eram e ainda são, as mais sacrificadas. Inicialmente tinha um penso enorme em toda a região abdominal e outro na mama. Mais tarde, tiraram-me os pensos e puseram apenas compressas. Aí finalmente, vi a minha mama nova e nada de barriga. Cool! Finalmente, o meu corpo retomava a forma natural.

A técnica utilizada foi retalho abdominal ou TRAM é normalmente realizada em 3 (três) tempos cirúrgicos em ordem decrescente de grandeza do porte cirúrgico.

No primeiro tempo, a pele e gordura da porção inferior do abdômen (abaixo do umbigo), são levadas para a região da mastectomia (local da mama extirpada). No meu caso não foi o musculo porque como já tinha tido outras cirurgias na zona abdominal, os medicos acharam que o musculo poderia estar comprometido, sendo elementar vascularizar a pele e a gordura que deram origem à nova mama. Este tipo de cirurgia é mais morosa e de maior risco, mas tecnicamente resulta melhor.

A cicatriz final do abdômen é semelhante à de uma abdominoplastia, sendo facilmente escondida em um biquini, porém não se deve esperar o mesmo resultado estético para o mesmo.

No segundo tempo, são realizadas simetrizações entre a mama recosntruida e a mama normal com o intuito de deixá-las o mais parecidas possível.

No terceiro tempo, são recosntruidos o mamilo e aréola, esta última pode ser recosntruida com um enxerto de pele da virilha ou através de sessões de tatuagem.

O intervalo de tempo entre as cirurgias é de, no mínimo, seis meses, ficando a critério do seu cirurgião a data mais apropriada.

Ontem à tarde, um dos meus médicos, por sinal todos uns giraços, veio dar-me alta e aproveitou para tirar os 2 drenos que ainda restavam, bem como mudar o penso. Na proxima 2ª feira, tenho consulta.

Aproveito aqui, para agradecer a toda a equipa de enfermeiros e auxiliares do serviço de plástica do HEM, que sempre se mostraram disponiveis, bem como à equipa médica chefiada pelo Dr. Miguel Andrade.

Um comentário:

Gigi disse...

Fico muito contente por ti.

Já não era sem tempo.

beijocas.