25 de novembro de 2009

Back to work


Fez ontem 4 semanas que fiz a cirurgia de reconstrução da mama. Após este período, o meu médico achou-me com cara de quem quer regressar ao activo, por isso hoje foi mais uma rentrée.

Em cima da minha secretária esperava-me um lindo cesto de flores acompanhado de uma mensagem que ilustrava um brinde colectivo à minha chegada. Adorei!

O dia correu bem, obviamente que não foi produtivo, mas é o que se espera quando a ausência é grande e pelos motivos que foi. Há que responder ao rol de perguntas curiosas dos nossos colegas. Há uns mais discretos, outros não sabem o que isso é.

Que se lixe!I can live with that!

18 de novembro de 2009

Mais um repasto no nosso cantinho




Ontem foi dia de almocinho para pormos a conversa em dia.

Gostei especialmente de rever a nossa Gigi, está com óptimo aspecto e bem disposta.

A Gigi tinha feito anos na véspera e eu tinha que mostrar a mama nova, por isso não faltava tema de conversa.

Falámos de coisas sérias mas também de banalidades. Rimos, comemos e oferecemos à nossa Gigi um cachecol e um gorro branco para ela levar à Torre Eiffel, tal como era e é seu desejo.

Todos os momentos são bons quando estamos entre amigos!

7 de novembro de 2009

A Carolina está feliz


Quando vim do hospital, a Carolina estava numa ânsia que só visto. Ainda estava a entrar à entrada do prédio, já ela gritava:

-Mãe, já tens a maminha?
-Claro, filha! Foi isso que eu fui fazer! Já vais ver!

Abraçava-me muito e beijava-me as mãos, dizendo:

-Mãe, tive tantas saudades tuas. Tive medo que morresses!
-Ó filha, não penses em coisas más, o que interessa é que a mãe já foi buscar a maminha que esteve este tempo todo a ser tratada no hospital.
-Posso ver?
-Claro!
-Ah... porque é que não tem o bico como a outra?
- Porque primeiro pomos a maminha e só depois mais tarde é que os médicos fazem o biquinho para ficar igual à outra. Temos que ter calma, ok?
-Sim, mãe. Dói?
-Não.
-Posso mexer?
-Sim!
- Posso dizer às pessoas que já tens a maminha?
- Bem, isto não é assunto para contarmos a toda a gente, só à nossa familia e amigos, Ok?
- Sim mãe.

Mas eu sei que não será bem assim. Para a Carolina, este assunto é suficientemente forte para contar aos colegas da escola. O que é que eu posso fazer? Afinal a minha filha vê finalmente a mãe igual às outras mães. E como eu a entendo...

6 de novembro de 2009

A minha mamoca nova


Cá estou de novo em casa depois de 11 dias no HEM. Pois é, foi tudo muito rápido e nem tive muito tempo para pensar. Tive consulta de cirurgia plastica em finais de Setembro e a 27 de Outubro estava no bloco operatório para receber "my precious boobie". A ultima semana antes do internamento foi de loucos, pois tive que conciliar o trabalho com os exames pré cirurgia. Mas consegui! Entrei dia 26 de Outubro com nervoso miudinho, mas por outro lado muito feliz porque finalmente o meu corpo iria voltar às suas formas naturais.

A cirurgia levou 8 horas e correu bem. Acordei bem disposta, apenas com leves dores na sutura abdominal. Depois veio a parte mais chata. Fui para os Cuidados Intensivos e lá permaneci 3 dias e meio. Estive sempre com morfina e via as minhas visitas mais chegadas à minha frente rodando como se fossem ratinhos numa roda. Os tubos que me ligavam às máquinas eram imensos, o que me impossibilitavam de me mexer. Ao 2º dia vomitei um Nestum manhoso que me deram, consequência da anestesia e tanta morfina. Só podia estar de barriga para cima e ao final dos 3 dias já desesperava. As dores nas costas estavam a deixar-me maluca e queria sair dali rapidamente. O pessoal de enfermagem foi excelente e tiveram sempre ao meu lado, não queriam que eu tivesse dores. Faziam a higiene e no final passavam uma pomada nas costas para aliviar as dores e evitar feridas. Na passada 6ª feira, finalmente fui para a enfermaria. Aí as coisas começaram a melhorar significativamente. Passei a levantar-me aos pouquinhos e a sentar-me no cadeirão. As noites eram sempre mais dificeis, porque mais uma vez as costas eram e ainda são, as mais sacrificadas. Inicialmente tinha um penso enorme em toda a região abdominal e outro na mama. Mais tarde, tiraram-me os pensos e puseram apenas compressas. Aí finalmente, vi a minha mama nova e nada de barriga. Cool! Finalmente, o meu corpo retomava a forma natural.

A técnica utilizada foi retalho abdominal ou TRAM é normalmente realizada em 3 (três) tempos cirúrgicos em ordem decrescente de grandeza do porte cirúrgico.

No primeiro tempo, a pele e gordura da porção inferior do abdômen (abaixo do umbigo), são levadas para a região da mastectomia (local da mama extirpada). No meu caso não foi o musculo porque como já tinha tido outras cirurgias na zona abdominal, os medicos acharam que o musculo poderia estar comprometido, sendo elementar vascularizar a pele e a gordura que deram origem à nova mama. Este tipo de cirurgia é mais morosa e de maior risco, mas tecnicamente resulta melhor.

A cicatriz final do abdômen é semelhante à de uma abdominoplastia, sendo facilmente escondida em um biquini, porém não se deve esperar o mesmo resultado estético para o mesmo.

No segundo tempo, são realizadas simetrizações entre a mama recosntruida e a mama normal com o intuito de deixá-las o mais parecidas possível.

No terceiro tempo, são recosntruidos o mamilo e aréola, esta última pode ser recosntruida com um enxerto de pele da virilha ou através de sessões de tatuagem.

O intervalo de tempo entre as cirurgias é de, no mínimo, seis meses, ficando a critério do seu cirurgião a data mais apropriada.

Ontem à tarde, um dos meus médicos, por sinal todos uns giraços, veio dar-me alta e aproveitou para tirar os 2 drenos que ainda restavam, bem como mudar o penso. Na proxima 2ª feira, tenho consulta.

Aproveito aqui, para agradecer a toda a equipa de enfermeiros e auxiliares do serviço de plástica do HEM, que sempre se mostraram disponiveis, bem como à equipa médica chefiada pelo Dr. Miguel Andrade.